Banda de mulheres em sua maioria pretas fazendo algo bem, bem, mas bem interessante!
segunda-feira, 1 de junho de 2015
domingo, 31 de maio de 2015
domingo, 12 de abril de 2015
HIP HOP SE MANIFESTA
Não
vamos para rua com a direita!
Recentemente temos
observado posicionamentos favoráveis de integrantes da cultura Hip
Hop ao movimento “Vem pra Rua”, apoiando e incentivando a adesão
a este movimento que teve certa repercussão a partir de passeatas
realizadas em diversas cidades do Brasil no dia 15 de Março de 2015.
Este movimento liberal e proto-fascista tem como pautas o Impeachment
da presidente Dilma, a redução da maioridade penal, a terceirização
dos serviços, intervenção militar, a criminalização de
movimentos populares combativos, a mercantilização da vida, dentre
muitas outras pautas de cunho absolutamente antidemocrático e
antipopular.
Por isso, entendemos que o discurso da “liberdade de expressão” utilizado por muitos MC´s e demais agentes da cultura ao mesmo tempo em que tentam se esquivar de responsabilidades diretas sobre os fatos em última instância faz jus às políticas empreendidas por setores empresariais, bancada evangélica, forças armadas e demais segmentos antidemocráticos.
Devemos ressaltar que a cultura Hip Hop ao apoiar este âmbito de disputas políticas fortalece setores que historicamente lutaram e lutam contra os fundamentos da cultura de rua como a luta pela democracia direta, a luta contra o genocídio negro, a luta contra o patriarcado e as lutas a favor das liberdades coletivas e individuais.
Outro fator que devemos ressaltar é a intensa luta entre classes antagônicas que se tornou ainda mais evidente a partir de grandes movimentações populares nas Jornadas de Junho de 2013, quando vimos de perto a ação truculenta do Estado contra a população que exigia direitos constantemente tragados pelo grande capital financeiro e pelo Estado democrático de direitos, que se manifesta na prática como Estado de exceção.
Essa luta colocou em crise inclusive a representatividade de partidos de esquerda burocráticos que desde seus lugares fortalecem direta ou indiretamente as políticas de Estado, não se diferenciando na prática de setores conservadores de direita. Por isso, queremos ressaltar que o movimento Hip Hop deve ser livre e para tal deve reaver a luta contra diversas formas de opressão praticadas historicamente pela estrutura do capital e suas formas de poder.
A gente quer ir pra rua, mas não vamos para a rua junto com os militares, não vamos para a rua junto com as armas do Estado. Quem organiza Rodas de Rima, quem circula favelas, quem circula os meios e os espaços onde tá o Hip Hop sabe que a polícia não é amiga do Hip Hop. O Hip Hop está aí para questionar essa ordem!
Não estamos junto de pessoas que por introjetar o medo construído pelos discursos midiáticos burgueses tornam-se a favor da militarização dos espaços públicos cerceando ainda mais as manifestações culturais da juventude e demais setores populares. Dessa forma, convidamos todos que compõem a cultura Hip Hop a pensar criticamente a conjuntura política atual de forma a nos associar em organizações que se contraponha e efetive na prática ações antagônicas ao conservadorismo burguês.
Assinam este manifesto:
Carta
na Manga (Rio de Janeiro) ; Dumatu (João Pessoa) ; Menestréis MC´s
(João Pessoa) ; Arthur Moura – 202 filmes (Niterói - RJ) ;
Antiéticos (Rio de Janeiro) ; Paulo Napoli (Fortaleza) ; Totoin
Antonio Carlos (Minas Gerais) ; Djoser
Botelho Braz (Rio de Janeiro)
; DJ Erik Scratch (Rio de
Janeiro)
; Marco Monte Cafus (Fusca) (Rio de Janeiro) ;
DJ Machintal (Niterói -
RJ) ; GoriBeatzz
(Rio de Janeiro) ; Alvaro Neto (Niterói - RJ) ; Dropê Comando Selva
(Rio de Janeiro) MV Hemp (Rio de Janeiro) ; DJ Kong (Rio de Janeiro)
André Tertuliano (Rio de Janeiro)
; Gerard Miranda e
Coletivo CIC (João Pessoa) ; Gustavo Pontual (Recife) ; Elton Kurtis
(São Paulo) ; Roberto Camargos (Uberlândia) ; Issa Paz (São Paulo)
; Rôssi Alves (Rio de Janeiro)
; Comunidade Rap Feminino
; NJ Sallez (Rio de Janeiro) ; Lepô comando selva confirmar ; Rico
Comando Selva confirmar (Rio de Janeiro) ; Emilio Domingos (Rio de
Janeiro) ; Marcos Favela (Mogi das Cruzes – São Paulo) ; Fábio
Emecê (Rio de Janeiro) ; Aline Pereira – Roda Cultural do Engenho
do Mato (Niterói- RJ) ; Davi Baltar (Niterói – RJ) ; Camila Rocha
(João Pessoa) ; A-Lex
Remanescente emcee Coletivo CGZOO, Projeto Bínário, Nação HipHop
Brasil célula/PB ; MC Slow (Rio de Janeiro) ; Gabriel Kopke Gael
(Rio de Janeiro) ; Beição ejc (Rio de Janeiro) ; Wallace Carvalho
(Fluxo; Planodois) (Rio de Janeiro)
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Preto I
Dizer que
é difícil ser homem preto pode ser clichê para o público alvo
desse texto. Só que talvez não tenha público alvo por justamente
uma das dificuldades de ser homem preto é a solidão que os
acadêmicos chamam de solidão epistemológica.
Ideias e
planos que passam sem legitimidade nos contextos nos quais tentamos
nos inserir e consequente garganta doída por gritar em vão. Bem, se
agarrar no penúltimo degrau da pirâmide reforçando estereótipos
seculares me incomoda, e como.
Eu canso
quando fodo porque qualquer corpo cansa quando fode e meu pau, ah,
meu pau não importa muito, não sou garantia de gozos intensos e
constantes e isso não resume minha complexidade que acaba sendo não
complexa por imposição.
Qualquer
proposta de enfrentamento coletivo da comunidade preta passa por
desvencilhamentos das armadilhas impostas pelo projeto colonizador
tão bem calcado nas nossas almas, corpos e intelectos.
A cachaça
e a maconha nunca vai ser suficiente pra disfarçar minha fragilidade
diante do enfrentamento da voz dominante e a possibilidade de cura
nunca vai passar pela disputa da fala com outro homem preto.
Vai, seja
o pirocudo da vez, isso definitivamente não me importa. E nem ser o
pretenso sedutor pras pretas. Quero atos coletivos contra a
supremacia branca. Tá difícil? Atos coletivos contra a supremacia
branca poderia ter base no afeto que trocamos uns com os outros.
Afeto...
lutamos pra não ser exterminados e lutamos pra permanecer num
território que nunca foi nosso, acabou sendo e hoje não nos querem
lá. Tiros na cabeça e pirocas duras nos rodeiam e nos aprisionam.
E as
pretas? Reconhecer a preta como a mãe casta e fiel só já bastou e
o choro me consome apesar de não conseguir sair muitas lágrimas pra
salgar essa carne dolorida de sentidos impostos nos hemisférios de
descontrole social.
Porra,
outra hora continuo...
sexta-feira, 27 de março de 2015
No Boni
A premissa do filme: Um comprimido pra esquecer as agruras da herança da escravidão. Vale a pena assistir?
NO BONI official teaser from DuBois Ashong on Vimeo.
NO BONI official teaser from DuBois Ashong on Vimeo.
segunda-feira, 23 de março de 2015
domingo, 15 de março de 2015
O que acontece?
Pense:
ignorar o espírito fascista e conservador não tem como mais, assim
como tentar entender os interesses por trás disso pode ser
fundamental para se poder ter um posicionamento que defenda nossa
proposta de vivência e autonomia.
Já
travei embates com um amigo sobre propostas de emancipação e
difusão de ideias sobre autonomia e vivência dos nossos. Sou preto,
do Hip Hop e assim como o amigo, temos propostas contra -
hegemônicas, ou seja, não acreditamos numa proposta de imposição
do capital com suas opressões como modelo a ser reproduzido.
Em nossas
angustias, afirmava que o Brasil é um país conservador, as pessoas
são conservadoras e temos uma construção histórica que defende
privilégios e os movimentos para defender esse privilégio sempre
são violentos.
E
dependendo da nossa origem e matiz, o trauma e a violência sempre
nos acompanha, com participação efetiva do Estado e suas esferas.
Pois bem, o fim de semana foi movimentado, com defesas de ideais
democráticos e críticas severas ao atual governo federal.
De
pedidos de reforma política a intervenção militar, multidões
invadiram o espaço estigmatizado da rua para falar e dar suas
supostas opiniões. Atos truculentos fizeram parte? Incoerências
históricas fizeram parte? Reinvindicações que beiraram o ridículo
fizeram parte? O sistema binário de proposições tomou conta? Tudo
isso e mais um pouco.
O que
talvez não tenha entrado em jogo de maneira tão efetiva é pra onde
vai o povo preto e pobre brasileiro, achatado nas periferias e sendo
vigiado e exterminados pelas forças militares, seja oficialmente ou
milicianamente.
As vozes
dessa parcela populacional precisam ser ouvidas de fato, e não só
ser ouvidas, precisam ser entendidas. Vivemos em nossas redes de
solidariedade, mesmo com as sabotagens precisas do Estado Democrático
de Direito. Afinal, quantos traumas são precisos diante dos tiros na
nuca e dos autos de resistência?
Um corpo
arrastado pelo asfalto e filmado não minam de uma vez a vontade de
nosso povo, ainda fazem essa parcela viver e criar mecanismos de
legitimação de vozes e pensamentos que passam longe dessa discussão
binária. Viver, se alimentar, ter uma casa e chegar no lugar
almejado sempre foram pautas significativas que transpassam o
Marxismo e o Neoliberalismo.
Lógico
que essas ideias (Neoliberalismo e Marxismo) são diluídas na
periferia, mas e aí? Se esse povo se mobilizar para se garantir o
que eles sempre garantiram pros seus e ainda por cima, começarem a
entender o sentido de autonomia e fortalecimento real dos seus, o que
vai sobrar da direita e da esquerda?
A
democracia burguesa sempre produziu traumas pro meu povo, seja
esquerda ou direita no poder. Um ponto a se considerar. Os militares
fazem incursões certeiras, precisas e corpos continuam sendo
estendidos na periferia, não importando a legenda partidária,
pensando no pacto federativo como máxima. Outro ponto a se
considerar. Um discurso quase único que perpassa os meios midiáticos
tradicionais. Mais um ponto a se considerar.
Quero uma
lógica sem traumas, sem genocídios, com autonomia e vivência plena
do povo preto. No Brasil ainda não é possível. Aliás, nunca foi
possível. Seria possível com a reforma política? Tenho minhas
dúvidas, mas tenho certeza que nem dia 13 e nem dia 15 me
representaram. Nem a mim, nem o Rafael Braga, a Cláudia, o DG e
tantos outros...
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